Sete escolas do Grupo Especial do Rio têm mulheres cantando

Publicado em: 10/01/2019 às 14h20

G1

Das 14 escolas de samba do Grupo Especial que passarão pela Marquês de Sapucaí este ano, sete delas contam com mulheres entre os cantores. Em duas das agremiações, a voz feminina têm lugar de destaque e são as vocalistas principais dos sambas-enredo, dividindo o espaço com homens.

Grazzi Brasil será uma das vozes principais da Paraíso do Tuiuti pelo segundo ano seguido. Na São Clemente, Larissa Luz assume os vocais principais da escola este ano.

Mesmo assim, o espaço para as vozes femininas nos carros de som ainda é reduzido. Em levantamento feito pelo G1, entre os intérpretes das 14 escolas que fazem parte do Grupo Especial este ano, apenas 12 são do sexo feminino. Isso representa 14,8% do total.

A escola que conta com mais vozes femininas é a São Clemente. Lá elas são a maioria. Larissa Luz dividirá vocais principais com Leozinho Nunes e Bruno Ribas. Nos vocais de apoio, três mulheres os auxiliam durante o canto.

Larissa não é inexperiente. Soteropolitana, com mais de 15 anos de carreira, ela integrou a banda Araketu entre 2007 e 2012, já foi indicada ao Grammy Latino de 2016, em sua carreira solo.

“Eu estou fazendo tratamento com uma fono específica, que trabalha com interpretes de samba-enredo. E ela me orienta nesse sentido”, contou a cantora, que já se prepara para a maratona de carnaval.

Atualmente, ela é a protagonista do musical "Elza", onde interpreta a cantora Elza Soares, que também é uma das precursoras dos vocais femininos na Avenida, pois já conduziu o samba da Mocidade Independente de Padre Miguel na década de 70. Segundo Larissa, de lá para cá, as mulheres seguem “avançando e se colocando”.

Larissa Luz conta como se preparou para interpretar Elza Soares no teatro em entrevista ao programa Encontro

Na Paraíso do Tuiuti, Grazzi Brasil não é novata. Ela assumirá a voz principal da escola pelo segundo ano seguido. No carnaval de São Paulo, onde ela também canta, será intérprete da Vai-Vai pelo terceiro ano.

Dividindo os vocais com Celsinho Mody, Grazzi reconhece que o mundo dos cantores de samba-enredo ainda é muito masculino, mas que já é mais comum ver mulheres cantando e compondo sambas-enredo. “Uma mulher pode cantar o que ela quiser”, explicou.