Estudantes criticam nomeação de reitora e apontam intervenção na UFGD

Publicado em: 11/06/2019 às 12h57

Cpo Gde News

O DCE (Diretório Central de Estudantes) reagiu imediatamente à nomeação da pedagoga Mirlene Ferreira Macedo Damázio como reitora temporária da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), que tem sede na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, a 233 km de Campo Grande. 

Em nota divulgada há pouco, o diretório afirma que a nomeação feita ontem (10) pelo ministro da Educação Abraham Weintraub é uma intervenção da pasta na autonomia universitária da UFGD, já que a decisão foi tomada sem discussão em órgão colegiado da universidade.

Mirlene Damázio substitui a reitora Liane Calarge, cujo mandato de quatro anos terminou ontem. Mirlene foi nomeada como “reitora pro tempore”, ou seja, em tese poderá ser substituída a qualquer momento.

O MEC ignorou a lista tríplice elaborada após consulta prévia à comunidade universitária. Formada pelos professores Etienne Biasotto, Jones Dari Goettert e Antônio Dari Ramos, a lista foi envida em março pela UFGD, mas devolvida em seguida pelo Ministério da Educação, que apontou irregularidade na escolha dos nomes.

No mês passado, a Justiça Federal chegou a suspender a lista tríplice a pedido do MPF (Ministério Público Federal), mas duas semanas depois revogou a medida.

O DCE critica o questionamento à lista tríplice afirmando que a elaboração seguiu a legislação e as normativas do Ministério da Educação e que fiscalizou e participou do processo. “O MEC desde 2018 já anunciava suas pretensões de interferência na autonomia universitária”.

Para o diretório, a nomeação da reitora pro tempore foi feita “da pior forma possível”, via portaria do Ministério da Educação. “A professora nomeada não participou da consulta prévia, não está na lista tríplice e ainda mais, apoiou publicamente uma das chapas candidatas na consulta prévia, a Chapa 2 (UFGD em Ação) que terminou o pleito em último lugar com 18% dos votos”, afirma o DCE.

“É desonesta a postura de setores, inclusive de dentro da universidade, que por seus interesses particulares e políticos, espalham ‘fake news’ e tentam deslegitimar a escolha feita pela comunidade acadêmica”, diz trecho da nota.