Setor canavieiro perde uma das suas maiores lideranças e referência

Publicado em: 12/06/2019 às 09h08

Brasilagro

Foto: Divulgação

Maneco, como era carinhosamente chamado pelos amigos e companheiros, deixa uma lacuna que dificilmente será preenchida

A cadeia produtiva canavieira perdeu ontem (11) uma das suas maiores lideranças. Poucas personalidades se dedicaram e doaram tanto ao setor como o engenheiro agrônomo Manoel Ortolan, que atualmente ocupava os cargos de presidente  da Canaoeste – Organização dos Plantadores de Cana da Região Oeste do Estado de São Paulo e da Copercana, ambas com sede em Sertãozinhho.

 

Maneco, como era carinhosamente chamado pelos amigos e companheiros, deixa uma lacuna que dificilmente será preenchida. Por dois mandatos ocupou e dinamizou a estrutura da Orplana – Organização dos Plantadores da Região Centro-Sul do Brasil, entidade que ganhou voz e expressão em defesa não apenas dos fornecedores de cana das usinas, mas também como defensora de toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético.

 

Ele forjou sua liderança ao se engajar em 1999, de corpo e alma na condição de presidente da Canaoeste, ao movimento “Grito pelo Emprego e pela Produção”. Ao lado do empresário Maurilio Biagi Filho, do sindicalista Antonio Vitor e deste jornalista, Maneco liderou os plantadores de cana em dezenas de atos públicos de protesto contra os governos do Estado de São Paulo(Mário Covas) e de Fernando Henrique (Presidente da República).

 

Com a morte de Mário Covas, seu vice, Geraldo Alckmin, passou a governar São Paulo. Manoel Ortolan precisava se aproximar do novo governador para sensibilizá-lo a mudar a política que provocou a crise e prejudicava produtores e trabalhadores. Na cerimônia de posse de novo mandato de Melquíades de Araújo a frente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação do Estado, ele foi colocado estrategicamente ao lado de Alckmin e aproveitou a oportunidade para convencer o governador a atender a pauta do setor canavieiro.

 

A partir daí as mudanças começaram, as reivindicações acabaram sendo atendidas, o etanol passou a ser valorizado como combustível limpo e renovável, novas usinas foram construídas, todas as outras foram modernizadas e o setor dobrou de tamanho, saindo de uma moagem de 300 milhões de toneladas/ano para 600 milhões/toneladas/ano.

 

Infelizmente a falta de visão estratégica e a incompetência dos outros dirigentes de entidades do setor sucroenergético, deixou de repetir a partir de 2007 a fórmula de sucesso aplicada em 1999, impondo a mais dura e longa crise do setor canavieiro nacional.

 

Em entrevista ao TV BrasilAgro, Maneco Ortolan foi enfático: “O pior desta última crise foi a falta de sinergia entre os elos da nossa cadeia produtiva. A desunião acabou com centenas de milhares de empregos e impôs prejuízos a fornecedores de cana e à indústria de base”.

 

Os efeitos desta crise trouxeram grande incômodo e acabaram abatendo o ânimo de Manoel Ortolan que, nos bastidores, reclamava dos dirigentes das entidades que deveriam representar o setor. As sucessivas e comprovadas denúncias de corrupção dos políticos, de todos os partidos, também o incomodavam.

 

Sua formação moral, sua inabalável fé, a coragem de enfrentar e superar os desafios, a paciência, o apego à família e aos companheiros de trabalho das entidades que dirigia o distinguiam dos demais. Isto o tornou uma referência de gestor competente e responsável (Ronaldo Knack é fundador do BrasilAgro e foi assessor de comunicação e estrategista de Manoel Ortolan)