A única saída para a crise atual é a tecnologia, diz Gustavo Leite, do CTC

Publicado em: 04/09/2019 às 10h50

Brasilagro

Foto: Divulgação

A única saída para a crise atual é a tecnologia, diz Gustavo Leite, do CTC

Há 50 anos, a Copersucar criou o que seria o seu braço para o desenvolvimento de pesquisas científicas focadas no segmento da bioenergia. Batizado de CTC (Centro de Tecnologia Copersucar), a instituição passou por diversas fases e mudanças nessas cinco décadas de existência. Uma das mais importantes ocorreu há exatos 15 anos, quando, em 2004, tornou-se o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Sete anos depois, viria outra importante mudança: passou a ser uma Sociedade Anônima (S.A.), com 154 acionistas, composta pelos principais players do mercado. Nessa mesma época, o CTC contratou o engenheiro mecânico Gustavo Leite para assumir sua presidência.

Executivo com passagens por multinacionais, como Phillip Morris, Michelin e Monsanto, da qual foi vice-presidente no Canadá, Leite assumiu com o desafio de elaborar novas estratégias de negócios e reforçar a competitividade e a produção de pesquisas. Hoje, o CTC tem no seu quadro de associados, além da própria Copersucar, companhias de peso, como Raízen, Bunge e São Martinho. E acaba de anunciar que, pela primeira vez, repartirá lucros entre seus acionistas – a companhia teve lucro líquido de R$ 23,6 milhões na safra passada (alta de 65%).

Na entrevista a seguir, Gustavo Leite fala dos gargalos no setor da cana-de-açúcar, dos rumos para a pesquisa no Brasil, da importância do planejamento a longo prazo e da política de preços para combustíveis.

Que balanço o senhor faz desses 50 anos de história do CTC?
O CTC foi criado basicamente como um departamento da Copersucar. A cana-de-açúcar no Brasil era muito menor do que é hoje. Não chegava a 2 milhões de hectares, metade disso no Nordeste e a outra metade em São Paulo. As usinas em São Paulo se acomodavam no guarda-chuva da Coopersucar e fazia sentido você centralizar as atividades, entre elas a de pesquisa. Outro ponto é que, naquela época, um hectare de cana rendia cerca de 2,5 mil litros de etanol. Hoje,
o mesmo hectare rende três vezes mais, com custo de produção bem menor.

Em 2004, o CTC se tornou o Centro de Tecnologia Canavieira e passou a ter as principais usinas e produtores como associados. Como foi esse processo?
Não dava mais para ficar contando com ganhos marginais. Precisávamos de algo mais substancial. Naquele ano, o CTC passou a ter quase que todas as principais usinas entre os associados. Outras culturas, como milho, soja e trigo, são muito maiores e estão presentes em países de clima temperado, onde existe maior proteção de propriedade intelectual. A cana não é de interesse das grandes empresas de ciência no mundo agrícola, por ser uma cultura complicada e presente em países com instabilidade jurídica. Por isso, fizemos a mudança.

O que de fato mudou no processo de atuação da empresa?

Até então, funcionava como uma cooperativa: todo mundo colocava um pouco de dinheiro e o que era produzido todos usavam de graça. O problema desse modelo é que se o cliente não tem a necessidade em uma pesquisa de excelência, pode causar acomodação. Nós repensamos tudo isso e decidimos entrar a fundo em biotecnologia.

No ano passado, o CTC inaugurou uma subsidiária nos Estados Unidos. Qual a importância de ter um braço da companhia na principal economia do mundo?
Estávamos atrasados em relação a outras culturas, no que diz respeito a transgênicos. Outras culturas existem mundo afora há mais de 20 anos. Hoje, temos as principais culturas em países agrícolas com inserção acima de 90%, nos casos de soja, milho e algodão. O nosso trabalho tem sido tentar preencher esse atraso.

Ter grandes empresas do setor, como Raízen, Copersucar, Bunge e São Martinho, torna mais fácil o processo de investimento em pesquisas?
Existe uma preocupação de não ter nenhuma interferência dessas empresas na pesquisa em si. No entanto, claro que tem o interesse do nosso cliente e muitos deles são acionistas. A coisa mais importante é ouvir o nosso cliente e saber o que ele deseja. Desse ponto de vista, é algo fantástico. Nós convivemos com eles diariamente, ouvindo suas necessidades. Em outras empresas, não há essa proximidade.

Nas ultimas safras, o setor de bioenergia tem passado por uma pressão nas duas pontas: preços baixos no etanol, por causa da cotação do barril de petróleo, e no preço do açúcar, com o excesso de produção no mundo. Esses dois fatores incentivam o produtor a buscar tecnologia de ponta para compensar o envelhecimento dos canaviais?
Há uma perda de produtividade dos nossos canaviais, em parte pelo uso de variedades muito velhas. Como os produtores estão com problemas, eles retardam a renovação. Tudo isso tem um preço. Mas os produtores e as usinas sabem que a única saída para a crise atual é a tecnologia. A melhor coisa que os produtores poderiam fazer é não aceitar pagar royalties (a empresa passou a operar nesse modelo em 2011). Na totalidade, temos os produtores pagando e, inclusive, incentivando a acelerar o passo.

Qual a importância de se ter uma política de preços livres para combustíveis?
A cana é muito diferente de outras culturas anuais. Por exemplo: você plantou milho este ano e não gostou. No próximo ano, planta soja. No caso da cana, é um casamento. Quando você planta, tem de passar alguns anos com ela e ainda vai precisar fazer uma usina perto, porque não se pode levar para longe para fazer o esmagamento. Tudo isso indica que é necessário um horizonte de previsibilidade de pelo menos 10 anos. É difícil alguém investir sem isso.

Nesse sentido, qual a importância do RenovaBio para o segmento?
É muito importante. Traz mecanismos que fazem com que o grau de planejamento seja um pouco melhor do que era. Ou seja: o pessoal tem um horizonte para fazer o planejamento. A gente sabe que, com o crescimento da nossa frota de carros flex e o consumo de açúcar no mundo, em poucos anos não teremos combustível. É preciso dar uma diretriz e seguir nela. Não se pode dizer que o Brasil será a Arábia do etanol e amanhã esquecer o assunto.

No Congresso, há uma discussão sobre mudar a lei de royalties sobre variedades de cana já em uso de 15 para 25 anos. Qual a importância dessa ideia para o segmento de pesquisa?
É fundamental que a pesquisa se torne economicamente atraente. Hoje, não é o que acontece. Você não tem nenhuma empresa relevante lá fora ou alguém que fale: “Vou fazer pesquisa para melhorar a produtividade da cana”, como fazemos no CTC. A razão primordial é que não existe um atrativo econômico. Para o setor, é muito importante que mais empresas desenvolvam mais variedades e com mais tecnologia.

No final do ano passado, a CNTBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) aprovou o uso da segunda variedade de cana-de-açúcar geneticamente modificada.

Qual a expectativa do CTC em relação a essa novidade?
Essa cana já entra em campo nesta safra. Ela começa a ser plantada no segundo semestre e, em alguns meses, já vai para o plantio. Ela não é apenas produtiva. É produtiva em condições adversas. Ela tem a característica de ser resistente à broca da cana, que é a principal praga que assola os canaviais brasileiros em termos de perda econômica, com cerca de R$ 5 bilhões de prejuízo por ano (Dinheiro Rural, 3/9/19)







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