Embrapa participa de audiência no Senado sobre proteção de polinizadores

Publicado em: 23/09/2019 às 13h30

Embrapa

A proteção de agentes polinizadores foi tema de audiência pública realizada na quarta-feira (18) na Comissão de Agricultura do Senado. Parlamentares e especialistas discutiram a inserção de dispositivos legais com a finalidade de proteger polinizadores - como abelhas, morcegos e beija-flores - em diversas políticas e leis, entre elas, a Política Nacional do Meio Ambiente, a Lei de Agrotóxicos, o Novo Código Florestal e a Lei de Biodiversidade.

A proposta faz parte do projeto de lei do senador Lasier Martins (Podemos-RS) para estimular pesquisas e medidas de proteção às populações de polinizadores (PL 1.918/2019).

Segundo o autor do projeto, o objetivo é incentivar a pesquisa e a inclusão de dispositivos legais em legislações ambientais que protejam os polinizadores.

O pesquisador da Embrapa Soja Décio Gazzoni falou sobre a proteção e a pesquisa de população de polinizadores.

"Quando falamos em polinizadores, a primeira coisa que vem à nossa mente são as abelhas, mas morcegos, mariposas, borboletas e outros insetos também são polinizadores, porém as abelhas representam a maior parte dos serviços ecossistêmicos de polinização no mundo", explicou o especialista.

Os polinizadores recolhem os grãos de pólen e transportam da parte masculina da flor para a feminina, promovendo a fecundação da planta e gerando sementes e frutos.

"Daí vem a enorme importância que tem a polinização para a vida na face da Terra", complementou.

Segundo ele, existe uma interface grande entre agricultura e polinização, embora a polinização também seja importante para espécies nativas, silvestres e florestais e para as matas.

Gazzoni apresentou dados do Painel Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos da ONU: 60% das espécies cultivadas no mundo não dependem de polinização, mas podem ser beneficiadas - portanto, na ausência de polinização existe produção, porém mais baixa.

Já 35% dependem totalmente, ou em parte, ou seja, existem espécies que sem polinização não formam frutos e nem sementes.

Dados da ONU também mostram a perda de produção na ausência de polinização nas principais culturas do mundo, bem como confirma que a polinização aumenta a produtividade de 87 culturas e responde por 35% da produção agrícola mundial.

O valor econômico dos serviços de polinização corresponde a 9,5% da produção global de alimentos, ou aproximadamente 400 a 500 bilhões de dólares anuais.

No caso brasileiro, a contribuição dos polinizadores é de R$ 12 bilhões anuais, segundo estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) com 145 cultivos brasileiros, apontando que 85 dependem de polinizadores, 25 com alta dependência.

Em sua fala, o pesquisador lembrou que durante o 25º Congresso Internacional de Entomologia, realizado em 2014, foram apontadas as dez principais causas do desaparecimento das abelhas: redução do seu habitat, simplificação das paisagens com monocultivos extensivos, pragas e doenças, estresse nutricionais, estresse de movimentação (transporte de caixas de abelha entre regiões distantes, mais comum nos Estados Unidos e países europeus), mudanças climáticas que estão em curso, estreitamento da base genética, manejo inadequado de colônias e o uso inadequado de agrotóxicos, causado por aplicações mal feitas.

Gazzoni destacou a importância da recomposição dos habitats dos polinizadores, já prevista nas legislações ambientais brasileiras, pois ao manter áreas de proteção permanente, por exemplo, o produtor contribui para a proteção dos insetos.

Ele apresentou também uma publicação da Embrapa, em fase de finalização, com informações para conservação de polinizadores, incluindo identificação de plantas preferidas e os recursos que elas oferecem para as abelhas e outros insetos.

Ainda segundo o pesquisador, não é apenas a agricultura que reduz o habitat das abelhas - a construção de prédios e bairros também afeta sua existência. Ele defendeu a intensificação da educação ambiental nas escolas.

"É perfeitamente possível a convivência entre polinizadores e agricultura, desde que façamos bem feito o que precisa ser feito", destacou o especialista, que defendeu a pesquisa e a educação para a melhoria do processo.

Necessidade de estudos e pesquisa

A audiência foi aberta pela senadora Soraya Thronicke (PSL-MS). Antes de iniciarem as apresentações e os debates, Luiz Carlos Heinze (PP-RS), vice-presidente da Comissão de Agricultura do Senado, destacou a importância de ouvir ministérios, institutos de pesquisa, associações e produtores rurais para desmistificar esse processo.

"Ninguém desconhece a importância dos polinizadores, mas é preciso que tenhamos um norte, com foco na pesquisa, em estudos, para que possamos preservar tanto o meio ambiente quanto o agricultor e a agricultura, que hoje é o carro-chefe da economia do nosso país", disse.

Também participaram da audiência o coordenador-geral de agrotóxicos e afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Ramos Venâncio, o coordenador de projetos do Grupo Técnico de Fitossanidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Tom Prado, o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, Gabriel Colle, e o representante do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, Daniel Espanholeto.

Carlos Venâncio afirmou que o Mapa quer aumentar o controle do uso dos defensivos, por meio do cadastro de aplicadores.

Paralelamente, garantiu que o ministério investe em alternativas aos agrotóxicos, como o uso de fungos e parasitas para o combate às pragas, o chamado controle biológico.

Daniel Espanholeto defendeu a disseminação das boas práticas agrícolas e a interação agricultura, apicultura e defensivos agrícolas.

"Manter o diálogo e o equilíbrio entre essas partes é a chave para garantir o sucesso sustentável", afirmou. Ele destacou que a síndrome de colapso das colmeias ainda carece de estudos.

Por isso, é preciso compreender a importância dos polinizadores e valorizar o diálogo entre as partes.

Fossa séptica biodigestora é destaque em outra audiência

A fossa séptica biodigestora, tecnologia desenvolvida pela Embrapa Instrumentação há pouco mais de 15 anos, foi um dos temas de audiência pública realizada no dia 12.

A reunião foi coordenada por uma comissão especial da Câmara dos Deputados constituída para discutir e encaminhar a proposta de alteração do marco legal (Projeto de Lei nº 3261/2019) para o saneamento básico no país.

O chefe-geral da Embrapa Instrumentação, João de Mendonça Naime, apresentou os dados da tecnologia aos participantes, entre eles, diversos parlamentares, representantes do Governo Federal, empresas privadas e associações que atuam no desenvolvimento do saneamento básico urbano e rural no Brasil.







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