Incêndios no Pantanal prejudicam sobrevivência da arara-azul

Publicado em: 18/11/2019 às 06h40

Mecânica Online

A lista de espécies ameaçadas de extinção é extensa, haja vista as atuais condições climáticas no mundo, a exploração ambiental e a urbanização desordenada, que cresce a cada dia.

A arara-azul, que encanta com sua beleza e saiu oficialmente da lista brasileira de animais ameaçados de extinção, em 2014, ainda sofre e luta contra sua vulnerabilidade.

Geralmente, essa espécie só começa a se reproduzir a partir do sétimo ano de vida e, em média, a fêmea tem até dois filhotes, porém, muitas vezes, só um acaba sobrevivendo por conta de sua fragilidade.

Uma vez que essa espécie já possui dificuldade para se reproduzir e foi muito explorada por conta das suas belas penas, a Fundação Toyota, há 10 anos, resolve u se juntar com o Instituto Arara Azul com o objetivo de defender a ave, criando o maior Centro de Reprodução das araras-azuis na natureza.

Situado no Pantanal, o Refúgio Ecológico Caiman (REC), que cedeu uma base de campo para a devida ação, abriga a equipe do Instituto Arara Azul, cuja missão é realizar o manejo das aves e ninhos, instalar cavidades artificias e proteger, ainda, ovos e filhotes de predadores por meio da instalação de placas de metais nos troncos das árvores.

Embora haja entidades e especialistas na linha de frente para que a espécie não volte a listar o documento oficial do Ministério do Meio Ambiente, recentemente, queimadas no Caiman colocaram a arara-azul e a biodiversidade pantaneira em perigo.

Por conta de diversos fatores, como baixa umidade do ar, alta temperatura, ondas de calor, matéria orgânica seca em demasia e alta velocidade do vento, o fogo atravessou o rio Aquidauana, no início de setembro, e acabou atingindo a fazenda, afetando cerca de 60% de seu território, em diferentes graus de intensidade.

De acordo com um primeiro estudo de avaliação do impacto do fogo, realizado pelo Instituto, que vem atuando fortemente nos cuidados com as araras-azuis e outras espécies, dos 98 ninhos monitorados, 54 estavam ocupados com ovos ou filhotes, sendo que 39 eram de araras e 15 de outras espécies de aves.

Além disso, havia 30 ninhos sendo preparados pelas araras ou em disputa com outras aves. Estavam vazias 14 cavidades. Dos 98, 33% foram atingidos em diferentes níveis de gravidade, dos quais apenas dois foram perdidos totalmente.

“Após o grande incêndio, o maior trabalho realizado tem sido o monitoramento constante, pois isso evita agravantes como disputas por ninhos, ocupação de cavidade por insetos ou outras aves que perderam seu habitat, bem como aumento nas taxas de predação, principalmente, por mamíferos”, afirma Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul, que também é professora doutora do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade Anhanguera Uniderp.

Para evitar esses e outros males, foi feita a instalação de cinta metálica em todos os ninhos ativos.

Além disso, ninhos artificiais estão sendo trocados ou reinstalados em substituição aos ninhos atingidos – tanto na Caiman, como em outras regiões: Aquidauana, Miranda, Bonito e Jardim.

Outra grande preocupação dos biólogos é a destruição dos hectares de espécies arbóreas fundamentais para sobrevivência da arara-azul: o Manduvi, propício para a reprodução, e as palmeiras, que produzem as castanhas do acuri e bocaiuva, principal alimento da espécie na região.

“A alimentação, até agora, não era um fator limitante. Mas com os incêndios, hectares e mais hectares da palmeira do acuri foram totalmente destruídos. Mesmo sendo fundamental para as araras-azuis, essa planta é a chave para várias outras espécies que se alimentam da sua polpa”, explica Neiva.

A resiliência da natureza-A pesquisadora ressalta que a natureza é extremamente resiliente, no entanto, embora a fauna esteja voltando, e alguns exemplares da flora rebrotando nas regiões atingidas, os resultados podem demorar a aparecer.

“Algumas espécies da vegetação vêm se recuperado, rapidamente, após as primeiras chuvas. Porém outras, mais sensíveis, levarão um tempo para voltar ao estágio que estavam anteriormente. Até lá, a fauna, que depende da produção de flores e frutos, poderá passar por períodos de escassez de alimentos”, finaliza.







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