Igrejas cedem templos a autoridades para ampliação de leitos para infectados

Publicado em: 26/03/2020 às 10h29

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A necessidade de uma estrutura de serviços de saúde superior à normalmente usada fora de tempos de pandemia vem motivando igrejas a disponibilizar templos e demais áreas anexas às autoridades para abrigar postos de saúde temporários ou mesmo albergues.

O cenário atual – na última quarta-feira, 25 de março, o Ministério da Saúde confirmou 2.433 casos de contaminação pelo novo coronavírus e 57 vítimas fatais – contribuiu para que igrejas tomassem iniciativas focando na atuação social.

A Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), liderada pelo pastor Silas Malafaia, anunciou que disponibilizará a estrutura de templos em São Paulo e Rio de Janeiro para serem usados como hospitais temporários.

“Nosso pastor, Silas Malafaia, ofereceu ao governo de São Paulo e Rio de Janeiro, bem como às forças armadas, espaço em nossa igreja em ambos os estados, que têm grandes áreas abertas cimentadas, com salas de apoio, para fazerem um hospital de campanha, se assim for necessário”, disse a denominação em comunicado.

A decisão vem após a Justiça ordenar a suspensão dos cultos nas igrejas da ADVEC, mas permitir que os templos continuem abertos. “Igreja não fecha porta, pelo contrário, o tempo da igreja aberta será ampliado. A única coisa suspensa serão os cultos presenciais. A igreja é um hospital espiritual e emocional”, disse Malafaia em um vídeo.

A Igreja Betesda, liderada pelo pastor Ricardo Gondim, suspendeu os cultos e cedeu o templo sede, na zona sul da capital paulista, às autoridades: “Cancelamos os cultos presenciais desde o início da semana passada, tudo o que estamos fazendo é online. A igreja estava vazia e ociosa e o espaço é grande. Ela perdeu o sentido litúrgico temporariamente, mas não o sentido social”, disse Gondim sobre o espaço com capacidade para 2.300 pessoas.

As possibilidades de uso são muitas, segundo o pastor, podendo ser enfermaria, posto avançado de saúde, centro de distribuição de alimentos ou atendimento a grupos vulneráveis, como pessoas em situação de rua ou com dependência de drogas.

“Estamos prevendo que a calamidade de saúde trará uma calamidade social sem precedentes. Não estamos dispostos a sacrificar os ensinamentos de Deus e a saúde dos próprios fiéis em nome de preservar a igreja da insolvência financeira”, acrescentou o pastor, em entrevista ao Uol.

Já em Santa Catarina, a Igreja Luz da Vida anunciou que firmou uma parceria com a prefeitura de Balneário Camboriú para ceder o templo para a montagem de uma estrutura de abrigo para moradores de rua durante a pandemia. Ao todo, poderão ser acolhidos 50 homens e 20 mulheres.

O atendimento às pessoas em situação de rua ocorrerá através da equipe da Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, Defesa Civil, profissionais da saúde e voluntários da igreja, segundo informações do portal da prefeitura de Balneário Camboriú.

A colocação dos colchões seguirá protocolos estabelecidos pelas autoridades, com distância mínima padrão. Quem buscar acolhida, será submetido a higienização adequada e apenas duas pessoas por vez conseguirão entrar no local, para que o protocolo de higiene não seja prejudicado.