Dr. SHUHEI UYETSUKA, PAI DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL, PASSADOS 110 ANOS - José Alberto Vasconcellos.

Publicado em: 16/03/2018 às 07h57

Assessoria

Foto: Divulgação

José Alberto Vasconcellos

No cemitério de Promissão, no estado de S. Paulo, está o túmulo do “Pai da Imigração Japonesa no Brasil”, encimado por seu busto; abaixo está  escrito: “Dr. Shuhei Uyetsuka – 12-06-1875 – 06-07-1935.  O túmulo testemunha um sonho que, apesar de todas as dificuldades, deu certo! Hoje a colônia japonesa no Brasil, é uma das maiores, fora do Japão!

A via de acesso à cidade de Promissão, entre a rodovia Washinton Luis e a cidade, ostenta o nome do Dr. Shuhei Uyetsuka, e nela há um parque e nele, varias pedras com escrita em baixo relevo, relatando a saga dos primeiros imigrantes japoneses que vieram para o Brasil, em 1908, com o navio “Kasato Maru”, procedente do porto de Kobe, no Japão. 782  pessoas, ou 150 famílias, desembarcaram do “Kasato Maru”  no Porto de Santos, em 18-06-1908, sob os cuidados e a liderança do Dr. Uyetsuka.

Na página social do jornal “O Progresso”, edição de 08.02.2018, caderno de Campo Grande, a notícia: “O cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, foi recebido (...) pelo presidente da Assembléia Legislativa (...) consolidando a parceria histórica entre os dois paises (...) para as comemorações dos 110 (cento e dez) anos da imigração japonesa no Brasil.”

Era eu Vereador em Dourados em 1987, quando recebemos a visita do então cônsul-geral do Japão, Sumio Ono, ocasião em que foi abordada questão relacionada com a imigração japonesa, que completaria 80 anos em 1988.  Por requerimento, devidamente fundamentado, lembrando que no próximo ano de 1988 completaria 80 (oitenta) anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, propusemos homenagear o Dr. Shuhei Uyetsuka. Assim, mediante requerimento nosso, foi aprovada uma lei pela Câmara Municipal, em sessão realizada com a presença do referido cônsul. A LEI  nº 1.421, de 30-06-1987, prescrevia a reserva de um espaço na zona urbana de Dourados, para a colocação de uma estátua do Dr. Uyetsuka. A estátua foi prontamente prometida, naquela oportunidade, pelo referido cônsul japones, Sumio Ono.

Correram trinta anos desde então e ninguém interessou-se em providenciar a estátua do Dr. Shuhei Uyetsuka, formado em direito pela Academia Imperial do Japão em 1907, e  no ano seguinte, 1908, dispôs-se a liderar o primeiro contingente de imigrantes japoneses para o Brasil.

                   A saga do Dr. Uyetsuka foi assim reconhecida pelos imigrantes, seus liderados: “... a despeito da adversidade original de raça, costumes, religião e de língua, soube (o Dr. Uyetsuka) embora com muito sacrifício, vencer todas as dificuldades, dispensando aos imigrantes tratamento verdadeiramente paternal. Dedicou toda sua vida no Brasil, de trabalho ininterrupto, à causa da comunidade japonesa, falecendo em 06 de julho de 1935. É considerado por todos os japoneses, como o “PAI DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL”. Está sepultado no cemitério municipal da cidade de Promissão, no estado de São Paulo.” (Texto grafado na pedra instalada no parque, na via de acesso à cidade de Promissão).

A colônia japonesa local, naquela oportunidade, considerou como imigrantes pioneiros, apenas os que residiam na região de Dourados, que chegaram ao Brasil muitos anos depois, principalmente, depois da II Grande Guerra. Ninguém se interessou em providenciar a estátua do homenageado e a Lei municipal nº 1.421, de 30-06-1987, ficou esquecida nas gavetas da burocracia, reconhecidamente omissa e relapsa.

Agora temos notícia de que o cônsul-geral do Japão,  Yasushi Noguchi, visitou a nossa Assembléia Legislativa e, em nome da comunidade nipo-brasileira, falou sobre as comemorações dos 110 (cento e dez) anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, no dia 18 DE JUNHO DE 1908.

Fiz ao colega bacharel em Direito, Dr. Uyetsuka, a promessa de homenageá-lo e  desde 1987, passados já trinta anos, em que foi aprovada a lei nº 1.421, de 30.06.1987, de nossa autoria, não esquecemos o prometido. A saga do Dr. Uyetsuka foi, também, registrada no nosso segundo livro: “Fadas Raposas e Lobisomens”, editado em 2010.

Ouvimos do sr. Tatsuo Suekane, radicado em Dourados, por ocasião da publicação da lei nº 1.421/87,  que “os japoneses vieram para o Brasil em 1908, com um projeto de vida: trabalhar nos cafezais, ficar rico e voltar para o Japão.” O sonho de riqueza nunca se realizou e eles adotaram o Brasil, como uma nova Pátria, para viver e trabalhar. Contribuíram para o desenvolvimento do Brasil, em todos os setores da economia, e nos transmitiram costumes tradicionais que assimilamos.

Nestes 110 anos da chegada dos Nipônicos ao Brasil, com nossas  homenagens, pedimos a Deus que os abençoe.

09-02-2018 (4800) Membro da Academia Douradense de Letras.

(josealbertovasco@yahoo.com.br)