Terça-feira, 24 de setembro de 2019

Eleições 2020: Lideranças querem Elias Ishy candidato à Prefeitura de Dourados

O pensamento corrente dentro do PT é que chegou a vez do vereador "ir para o sacrifício", ou seja, arriscar uma reeleição teoricamente tranquila por um projeto plural

Publicado em: 17/07/2019 às 18h25


Vereador Elias Ishy

Tido como uma das reservas morais da política douradense, o vereador Elias Ishy só não disputará a Prefeitura de Dourados nas eleições municipais de 2020 se optar por mais uma reeleição, contemplando apenas um projeto pessoal e de seu grupo político no PT – a Articulação de Esquerda (AE).

O nome dele é defendido por várias das principais lideranças petistas de Mato Grosso do Sul, como o ex-governador Zeca do PT, o deputado federal Vander Loubet, o ex-prefeito Laerte Tetila e o ex-deputado João Grandão, entre outras.

Além de ter trajetória política elogiada até por adversários ao longo dos cinco mandatos de vereador, Elias Ishy (60 anos e aposentado pela Caixa Econômica Federal) teve expressiva votação para deputado estadual nas eleições do ano passado, principalmente em Dourados com 7.805 votos, ou 7,51% do eleitorado douradense.

O pensamento corrente dentro do PT é que chegou a vez do vereador "ir para o sacrifício", ou seja, arriscar uma reeleição teoricamente tranquila por um projeto plural - mais arriscado, mas absolutamente necessário para o fortalecimento partidário.

Essa tarefa coube no passado a Ribeiro Arce, José Joaquim, Egon Krackeke, Tetila e Wilson Biasotto disputando a Prefeitura. A estratégia contribuiu na eleição de bancadas na Câmara Municipal e fortaleceu o partido em Dourados, que chegou à chefia do Executivo com Tetila e à Câmara dos Deputados com João Grandão.

Os resquícios da crise pela qual Dourados atravessa desde à renúncia de Ari Artuzi, em dezembro de 2010, no bojo da Operação Uragano, trouxeram à tona, segundo as lideranças petistas, lembranças na população das administrações de Tetila, que deixou o cargo em 2008 muito bem avaliado.

E para transformar o legado de Tetila em votos, o PT precisa de uma candidatura consistente para o atual momento político nacional, dizem os líderes que tentam convencer Elias Ishy a encarar a disputa pela retomada da Prefeitura e viabilizar a eleição de até quatro vereadores.

A eventual candidatura de Ishy à Prefeitura permite a ascensão de lideranças, inclusive sindicais da AE, como a professora Gleice Jane e o bancário Ronaldo Ramos, já colocados como pré-candidatos à Câmara Municipal.

Contudo, o vereador parece não estar disposto a atender os apelos dos companheiros, segundo emissários de seu grupo político. Ele tem evitado tratativas sobre a eventual candidatura a prefeito. Caso não se sensibilize pelo projeto partidário, o "plano B" do PT deve ser o ex-secretário de Governo de Tetila, Ermínio Guedes.

Engenheiro agrônomo, gaúcho, mas radicado há várias décadas em Dourados, Guedes é ex-patrão do CTG Querência do Sul, tem experiência administrativa, transita bem no agronegócio e em outros setores da classe média e tem ótima retórica e oratória.

O nome de Ermínio Guedes, inclusive, está sendo articulado para disputar a presidência do Diretório Municipal do PT em oposição ao atual presidente Natal Ortega, assessor e braço direito de Elias Ishy.